quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Contribuição ao Centenário

Adauto Quirino Silva

Hoje, 7 de dezembro de 2011, ainda estamos a caminho do Centenário de Birigui. E nessa trajetória histórica, o Espiritismo contribuiu efetivamente para esse progresso.
O Centro Espírita Amor e Caridade, por exemplo, não demorou a desenvolver suas atividades humanitárias. Ele foi inaugurado em 28 de janeiro de 1940, somente 23 dias após a chegada de seus fundadores – João e Linda Dias de Almeida – à cidade, procedentes da capital paulista.
Além da assistência aos frequentadores, muitos deles necessitados de tratamento espiritual, decorridos cinco anos, a instituição inaugurava o Asilo da Velhice e dos Desamparados; daí mais dois anos, o Sanatório Felício Luchini (depois, Hospital Felício Luchini); e, na sequência, em 1949, era inaugurado o Orfanato José Maria Lisboa (depois, Lar José Maria Lisboa).
A administração municipal, ao longo de suas atividades, contou com a colaboração do Amor e Caridade por mais de 71 anos. Inúmeras pessoas idosas foram assistidas pelo departamento a elas consagrado, da mesma forma que milhares de deficientes mentais e, mais recentemente, drogaditos, que são tratados no Hospital Felício Luchini. O Lar José Maria Lisboa abrigou milhares de crianças, muitas das quais o deixaram somente quando adultas.
Ninguém ignora que, devido à falta de instituições filantrópicas na cidade, o município se obriga a, proporcionalmente, desdobrar-se em assistência e gastos compatíveis com as necessidades de ordem social. Sem contar que o orçamento tem de elevar-se à altura das necessidades públicas, com o sacrifício da majoração tributária debitada à sociedade.
Muitas outras instituições espíritas se estabeleceram em Birigui, e todas permanecem prestando serviços relevantes à coletividade local. Concorrem para o bem material e, principalmente, espiritual da sociedade biriguiense: Raymundo Mariano Dias (a mais antiga, de 1937), Ave Cristo, Seara A Caminho do Mestre, Allan Kardec, Bezerra de Menezes, José Sanches Gúsman/ Abrigo Vó Tereza, Luz e Fraternidade/ Solar Eunice Weaver, Caminho de Luz, Escola de Espíritos e Raul de Menezes, que tem como referência a conhecida dona Lúcia Pichitelli Nogueira.
As lideranças espíritas cristãs desconhecem dificuldades na consecução de objetivos humanitários, convictas da procedência do lema da Doutrina Espírita, segundo o qual “Fora da caridade não há salvação”. De modo que o espírita sente-se no dever sagrado de se amar, melhorando seu aspecto moral, para amar o semelhante como a si mesmo. Sabe que o ponto delicado do sentimento é o amor, e luta por aprimorar os sentimentos. Sabe, aliás, que o amor só se conquista extirpando da própria intimidade o egoísmo e o orgulho, e substituindo esses vícios pelas virtudes do altruísmo e da humildade.
Para chegar ao amor, o espírito (na hipótese, encarnado) precisa ser benevolente, indulgente, devotado e abnegado, transcendendo da consciência humana para a consciência espiritual, já que a disposição moral para fazer a verdadeira caridade impõe a incondicionalidade da manifestação dos semelhantes. Com efeito, ninguém poderá ser bom, tolerante, dedicado e desinteressado se não se dispuser à plena aceitação do próximo, independente de sua manifestação contrariar o seu padrão de conduta.
Sem pinçar ninguém de minha predileção, para não correr o risco de ser injusto, considero que as lideranças espíritas em Birigui assimilaram o Evangelho do Cristo, alcançando um status de cristão autêntico. E, como tal, só se movem para a realização do bem, disponibilizando-se para descobrirem as necessidades reais e provê-las, conforme a consciência que têm de terem vindo ao mundo para servirem, e não para serem servidos.
Em tempo: hoje ainda estamos a caminho do Centenário. E amanhã será o grande dia da festa.
A nossa cidade merece! Assim como nós, biriguienses de nascimento e de coração...

Adauto Quirino Silva, advogado

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