segunda-feira, 5 de março de 2012

Ex-prefeito de Birigui morre vítima de acidente em Goiás


O ex-prefeito de Birigui, José Roberto dos Santos, mais conhecido como Zé dos Santos, morreu na tarde deste sábado (3) aos 56 anos, vítima de acidente de carro, em Catalão (GO).

Segundo familiares, Zé dos Santos dirigia um carro de um funcionário de sua fazenda quando um outro veículo com dois rapazes bateu na lateral do motorista, em um retorno da rodovia. Santos morreu na hora. Os ocupantes do outro veículo não se feriram. O corpo deve chegar por volta das 6h deste domingo e será velado logo pela manhã no Paço Municipal, em Birigui.

A irmã do ex-prefeito Márcia dos Santos Momesso afirmou que o enterro ainda não está definido porque familiares aguardam a vinda da filha mais velha de Santos, Patrícia, 28 anos, que mora em Orlando, nos Estados Unidos. Santos deixou também a esposa Yvete e o filho Guilherme, 23. "Ele foi de ônibus para a fazenda e pegou o carro do funcionário para buscar uma peça na cidade. Meu irmão sempre procurou fazer o bem para as pessoas", disse a irmã.

POLÍTICA
Zé dos Santos foi um dos expoentes do PSDB na cidade de Birigui, uma das principais lideranças do partido na cidade. Exerceu o cargo de prefeito entre 1997 e 2000, ocupando anteriormente uma das cadeiras do Legislativo entre 1993 e 1996. Santos tentou a reeleição pelo PSDB em 2000 e 2004, mas perdeu a disputa para Florival Cervelati e Wilson Borini, respectivamente.

Há quatro anos, Zé dos Santos tentaria uma nova disputa, mas, por uma série de impedimentos judiciais, não teve sua candidatura permitida. Foi aí que ele decidiu lançar sua esposa, Yvete, como candidata. Na campanha eleitoral, a candidata se intutilava como Yvete do Zé dos Santos - uma forma de associar sua imagem à do marido. No entanto, a campanha não decolou e Yvete conquistou apenas 3.500 votos, ficando um último lugar.

No ano passado, Zé dos Santos tentou conquistar a presidência do PSDB em Birigui, mas o partido rachou e ele foi derrotado por Mário Maçaro Umeta, que é ligado ao deputado estadual Roque Barbiere.

"Dentro do PSDB, Zé dos Santos sempre foi líder e, pelo que me lembro, foi o primeiro prefeito pelo partido no município. Ele era uma pessoa muito querida, do bem, e que estava sempre perto das pessoas mais carentes. Para mim, um amigo verdadeiro, independente de política", ressaltou o secretário-geral da Câmara de Birigui, Celso Mantovani da Silva.


Publicado no site do jornal Folha da Região, em 03/03/2012, 22h37
Escrito por Monique Bueno

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Onde fica Birigüi?

João Felício Quirino


“Onde fica Birigüi?”. Eis a pergunta que um birigüiense habitante de São Paulo é obrigado a responder milhões de vezes. Respostas clássicas: “A 10 quilômetros de Araçatuba”, “uns 530 quilômetros da capital”, “no noroeste do estado”, “não muito distante da fronteira com o Mato Grosso do Sul”. Muitas vezes o interlocutor, posando de entendido, chuta (e erra): “Pelos lados de Ribeirão Preto, né”, “Fica em Minas, certo?”. O mais gostoso para um birigüiense, porém, é quando o sujeito diz: “Araçatuba? Também não conheço...”. Ao lado do desconsolo por saber-se ignorado do mapa, aflora um doce sabor de vingança ao notar que as cidades rivais são irmãs gêmeas na condição de desconhecidas de muitos paulistanos.

Mas, claro, há quem saiba das coisas. “Sim, Birigüi fica ao lado de Araçatuba, no noroeste do estado”, “Birigüi, a Cidade Pérola”, “capital nacional do calçado infantil”, “conheço: terra do Bandeirante, do biribol, do Paulinho McLaren, do Reynaldo Gianecchini”, “Êta, lugarzinho quente!”. E há também o sujeito que tem certeza do comentário e se assusta quando é corrigido: “Como assim, Marco Bianchi, Paulo Bonfá e Peterson Foca nunca viveram em Birigui?!”.

A pergunta subseqüente, via de regra, é: “O que significa Birigüi?”. Resposta didática: “Quando os fundadores chegaram, a terra era infestada por um mosquito chamado birigüizinho”. Segue-se uma risadinha marota do perguntador, correspondida por um sorrisinho envergonhado do nativo: “Pois é, minha cidade tem nome de mosquito”.

Tenho a impressão de que Birigüi resume bem o Brasil: os povos que vieram para cá (japoneses, espanhóis, italianos, libaneses, alemães); a passagem da agricultura para a indústria, cada vez mais moderna e pujante; a desigualdade social; a política impregnada pelo clientelismo, reveladora da lógica do coronelismo, enxada e voto, tão bem demonstrada por Vitor Nunes Leal; a tentativa de tantos conterrâneos de fazer a vida fora do país (Estados Unidos, Portugal, Japão, Itália, Inglaterra) e o movimento de retorno. Até Nicolau da Silva Nunes, o fundador, me vem à cabeça como um Pedro Álvares Cabral a chegar de trem e se deparar com índios, no caso, caingangues. Sua gente é uma expressão perfeita do caipira, um dos povos que compõem o grande povo brasileiro, conforme Darcy Ribeiro.

Ontem foi comemorado o centenário da minha querida terra natal. Para escrever sobre ela, ocorreu-me de pronto a frase de Tolstoi – “Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia” – e tentei vislumbrar o que há de universal na “minha” cidade. Reli um texto que escrevi por ocasião do 456º aniversário de São Paulo e me chamou a atenção o seguinte trecho: “São Paulo me ajudou a amadurecer. (...) Amadurecimento significa virar dono do próprio nariz e do próprio destino, desenraizar-se sem renegar ou amaldiçoar as raízes”. No texto, lembrei da oscilação entre amor e ódio que senti pela capital paulista. Agora, lembro do mesmo sentimento em relação à “terrinha”. Quando não agüentava mais viver em Sampa, concebia Birigüi como a Pasárgada de Manuel Bandeira e me sentia o próprio Gonçalves Dias declamando “Canção do Exílio”. “Saudades da Minha Terra”, música de Goiá e Belmont, ganhou status de hino pessoal. De volta a Birigüi, no entanto, as coisas não foram exatamente como eu idealizava. Aos poucos, tudo passou a me incomodar – o pensamento conservador predominante, a visão de paraíso fundada num certo hedonismo machista e xucro (muié e cerveja, muié e cerveja, eis o mantra do único prazer existente), a cultura de ostentação de riqueza, a religiosidade exacerbada, e, até mesmo, a quase onipresença da música sertaneja. Só que muito do que os olhos veem não se deve à paisagem, mas sim aos próprios olhos. Por algum mecanismo psicológico que Freud deve explicar, eu, que valorizava tudo em Birigüi na mesma intensidade e proporção que demonizava em São Paulo, inverti os pratos da balança. Passei a ter saudade da saudade que sentia. O regresso à metrópole virou uma obsessão e a vida na “terrinha”, um tormento. É certo que o contato com a família e com os amigos era prazeroso, só que vinha com um gostinho de fracasso, pela dependência dos recursos dos pais.

De volta a São Paulo, acho que, enfim, desvendei a chave da minha eterna insatisfação. Concebendo a terra natal e a de adoção como antagônicas, passei a aceitar como natural a contradição de, ao mesmo tempo, desejar o que tanto uma como a outra me ofertam de bom, assim como a de negar o que em ambas me desagrada. O mais engraçado – e aprazível – é que, quando quero me ver livre do caos metropolitano, é a simplicidade interiorana que se apresenta como alternativa; e, quando me vejo entediado da mesmice birigüiense, corro para a agitação paulistana. Criei duas raízes.

O psicólogo Contardo Calligaris, analisando a modernidade, escreveu que “a família originária, da qual pertencemos, com certeza é o grupo contra o qual afirmamos nossa independência” e que essa afirmação confronta a “aventura arriscada da liberdade” com o “conforto opressivo das tradições”. Na verdade, queremos os dois: a liberdade e o conforto. Eis o conflito familiar primordial: ter presente o amor dos pais e a distância necessária para andarmos sozinhos. Quem sabe, a família não seja, por excelência, o habitat da relação de amor e ódio. Assim, pacificando esse conflito, creio ter construído dois lares: um, cosmopolita; o outro, provinciano. E me tornei, como diz Tom Zé, bilíngüe: falo a língua da metrópole e a língua do interior.

Retomando Tolstoi, talvez o escritor russo quisesse dizer que pintar a própria aldeia significa pintar as raízes, os mais íntimos elementos constitutivos de cada um de nós. Algo que todos os seres humanos têm, universal e independentemente de onde tenham nascido e de onde vivam. Disso concluo: quando me perguntarem onde fica Birigüi, darei alguma daquelas respostas clássicas. No entanto, intimamente, pensarei: em certo sentido, fica dentro de mim.

***

Em homenagem a Birigüi, peço licença à reforma ortográfica para preservar o trema em todo o texto. Além da diferença do som (prefiro ser birigüiense a biriguiense), gosto de imaginar os pontos sobre o U e o I como se fossem três mosquitinhos. Três birigüizinhos.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Birigui Centenária

Aires Galhego Garcia


Há homens que lutam um dia e são bons; há outros que lutam um ano e são melhores; há aqueles que lutam muitos anos e são muito bons. Porém, há os que lutam por toda a vida. Estes são imprescindíveis.
Bertolt Brecht

                Birigui está comemorando o centenário de sua existência. Também conhecida como a “Cidade Pérola”, a capital nacional do calçado infantil é um dos mais importantes municípios do nosso país. A pujança de nosso povo é nacionalmente reconhecida, o que nos enche de orgulho.

                Birigui tem essa importância em razão dos corajosos desbravadores que aqui aportaram em busca do paraíso prometido. Para cá vieram espanhóis, portugueses, italianos, árabes, turcos, armênios, japoneses, libaneses, ingleses, e representantes de tantas outras nacionalidades, juntando-se aos que aqui já estavam e, também, com brasileiros de todos os rincões de nosso país, de norte a sul, transformando nossa cidade numa harmônica torre de babel. Essa mistura racial impensada em qualquer outro local do mundo, aqui encontrou terreno fértil para o desenvolvimento harmônico.

                Ao chegarem aqui, juntando-se aos nativos, com disposição incomum, iniciaram o processo sem retorno do progresso de nossa cidade. A todos esses corajosos e abnegados senhores e senhoras devemos agradecer. Cada um destes homens e mulheres deu a sua cota de colaboração para o desenvolvimento de nosso município. Cada um, de acordo com a sua aptidão, procurou organizar nosso município. E assim deram início à agricultura, ao comércio e aos serviços em nossa cidade. Posteriormente vieram as indústrias, principalmente a calçadista e moveleira. E Birigui se transformou na potência que é hoje. E sempre será assim enquanto existirem pessoas corajosas e determinadas que coloquem em prática seus sonhos.

                Por tudo isso, não podemos nos esquecer desses desbravadores corajosos que acreditaram no potencial de um pequeno vilarejo cravado no sertão paulista, infestado de um minúsculo mosquito que incomodava a todos e era bastante frequente na região, além dos índios caingangues, transformando-a, com muito suor, lágrimas e sangue, nessa cidade empreendedora e hospitaleira. Não podemos nos esquecer, também, do legado que nos deixaram. O patrimônio moral, espiritual, cultural, histórico e arquitetônico com que foi construído nosso município.

                E cabe a cada um de nós fazer com que o lema que é ostentado por nossa bandeira seja sempre colocado em prática: “Labor Omnia Vincit” (o trabalho a tudo vence). Portanto, biriguienses, mãos a obra! Façamos a nossa parte agora para que as futuras gerações também se orgulhem de nós! Nosso futuro é agora!

                Parabéns pelo centenário!

Aires Galhego Garcia
Funcionário Público Estadual

Contribuição ao Centenário

Adauto Quirino Silva

Hoje, 7 de dezembro de 2011, ainda estamos a caminho do Centenário de Birigui. E nessa trajetória histórica, o Espiritismo contribuiu efetivamente para esse progresso.
O Centro Espírita Amor e Caridade, por exemplo, não demorou a desenvolver suas atividades humanitárias. Ele foi inaugurado em 28 de janeiro de 1940, somente 23 dias após a chegada de seus fundadores – João e Linda Dias de Almeida – à cidade, procedentes da capital paulista.
Além da assistência aos frequentadores, muitos deles necessitados de tratamento espiritual, decorridos cinco anos, a instituição inaugurava o Asilo da Velhice e dos Desamparados; daí mais dois anos, o Sanatório Felício Luchini (depois, Hospital Felício Luchini); e, na sequência, em 1949, era inaugurado o Orfanato José Maria Lisboa (depois, Lar José Maria Lisboa).
A administração municipal, ao longo de suas atividades, contou com a colaboração do Amor e Caridade por mais de 71 anos. Inúmeras pessoas idosas foram assistidas pelo departamento a elas consagrado, da mesma forma que milhares de deficientes mentais e, mais recentemente, drogaditos, que são tratados no Hospital Felício Luchini. O Lar José Maria Lisboa abrigou milhares de crianças, muitas das quais o deixaram somente quando adultas.
Ninguém ignora que, devido à falta de instituições filantrópicas na cidade, o município se obriga a, proporcionalmente, desdobrar-se em assistência e gastos compatíveis com as necessidades de ordem social. Sem contar que o orçamento tem de elevar-se à altura das necessidades públicas, com o sacrifício da majoração tributária debitada à sociedade.
Muitas outras instituições espíritas se estabeleceram em Birigui, e todas permanecem prestando serviços relevantes à coletividade local. Concorrem para o bem material e, principalmente, espiritual da sociedade biriguiense: Raymundo Mariano Dias (a mais antiga, de 1937), Ave Cristo, Seara A Caminho do Mestre, Allan Kardec, Bezerra de Menezes, José Sanches Gúsman/ Abrigo Vó Tereza, Luz e Fraternidade/ Solar Eunice Weaver, Caminho de Luz, Escola de Espíritos e Raul de Menezes, que tem como referência a conhecida dona Lúcia Pichitelli Nogueira.
As lideranças espíritas cristãs desconhecem dificuldades na consecução de objetivos humanitários, convictas da procedência do lema da Doutrina Espírita, segundo o qual “Fora da caridade não há salvação”. De modo que o espírita sente-se no dever sagrado de se amar, melhorando seu aspecto moral, para amar o semelhante como a si mesmo. Sabe que o ponto delicado do sentimento é o amor, e luta por aprimorar os sentimentos. Sabe, aliás, que o amor só se conquista extirpando da própria intimidade o egoísmo e o orgulho, e substituindo esses vícios pelas virtudes do altruísmo e da humildade.
Para chegar ao amor, o espírito (na hipótese, encarnado) precisa ser benevolente, indulgente, devotado e abnegado, transcendendo da consciência humana para a consciência espiritual, já que a disposição moral para fazer a verdadeira caridade impõe a incondicionalidade da manifestação dos semelhantes. Com efeito, ninguém poderá ser bom, tolerante, dedicado e desinteressado se não se dispuser à plena aceitação do próximo, independente de sua manifestação contrariar o seu padrão de conduta.
Sem pinçar ninguém de minha predileção, para não correr o risco de ser injusto, considero que as lideranças espíritas em Birigui assimilaram o Evangelho do Cristo, alcançando um status de cristão autêntico. E, como tal, só se movem para a realização do bem, disponibilizando-se para descobrirem as necessidades reais e provê-las, conforme a consciência que têm de terem vindo ao mundo para servirem, e não para serem servidos.
Em tempo: hoje ainda estamos a caminho do Centenário. E amanhã será o grande dia da festa.
A nossa cidade merece! Assim como nós, biriguienses de nascimento e de coração...

Adauto Quirino Silva, advogado